Era um dia normal, amanheceu com um climinha úmido e fresco. As malas foram “amarrotadas” no carro, e antes que os passageiros entrassem havia aquela fila de despedida, de palavras de sucesso, e felicitações. Sem querer olhar pra trás lá estava eu, acostumada com essa triste rotina, e ao mesmo tempo apreensiva pra chegar ao lugar de destino o mais rápido possível, por pior que ele fosse (risos). Além de nunca ter sido boa em despedidas, considero-me a pior viajante do universo. A pior parte pra mim, acima de tudo é a viagem... “Aquele intervalo longo entre o de: e o para:”
Lembro de um “chacoalho” no início, e nada mais. Acordei naquela típica “parada de posto” com uma exclamação bem comum, - Ei, Andressa! Respondo de uma forma bem simpática, Q é dessa vez pai? – Olha aqueles bichos!!! Eram cabelos extremamente encaracolados, com aquela cor de “parafina” umas roupas atípicas, bem típica deles, uns braceletes no braço e por aí vai. Sentados embaixo de uma árvore. É, sim, aquela árvore que nós pretendíamos parar pra almoçar. Mudança de planos! rs Compramos o guaraná na churrascaria ao lado e por alguns segundos sem destino prosseguimos, até avistarmos um pouco mais á frente um campo, com variadas sombras ao redor. Estedemos o “banquete” no capô do carro, e começamos a nos deliciar. Não precisou de muito tempo, avisto aquelas 4 crianças em suas respectivas bicicletas, a mãe e o pai. O interessante de se observar era a “trouxinha” em cada bicicleta, creio q ali estava tudo o que eles precisavam pra sobreviver, e não era muito grande viu? Mas bem prático e organizado. Naquele exato momento minha análise brisática entrou em ação, meu olhar estava fixo em cada movimento e expressão deles. Os dois menores começaram a pedalar no campo como se há tempos não tivessem a oportunidade de aproveitar sua bike, sendo que isso era o meio de transporte deles. Pra mim foi meio contraditório aquela alegria toda, mas interessante de se vê. O pai com a menina maior foi logo estendendo seu acampamento em uma sombra, enquanto a mãe começou andar adentro da estradinha, creio q estava averiguando o local. Eu desprendi um pouco a atenção com o meu delicioso prato e meu guaraná, mas não demorou muito para que eles “nossos novos companheiros de viagem” se aproximassem. Veio caminhando a mãe e o menininho com o cabelo liso e comprido, a aparência dos dois era bem bonita, pele clara bem corada, olhos claros e cabelos castanhos. Vinham em nossa direção com um tubo redondo coberto de pulseirinhas. A mãe se aproxima e fala, “e aí chegados tudo bem? A gente também ta viajando, paramos ali no posto pra discolar uma comida, até comemos um pouquinho, mas a tia lá ficou regulando, ainda tamo brocados, vocês não tem um pouco pra compartilhar com a gente?”. Minha mãe fez uma cara, ela não costuma ser muito solidária e meu pai meio crítico e desconfiado, ficaram lá estáticos, em quanto eu e minha irmã desesperadamente começamos a induzi-los a dá tudo, começamos a fechar as marmitas e prontamente entregamos até mesmo o guaraná que havíamos comprado. Sabe o que me cativou? A simplicidade deles, o sorriso do menininho até hoje fica em minha mente, um sorriso sincero e cativante que eu nunca tinha presenciado até aquele momento, não digo o de gratidão não, to falando o que ele tinha no rosto antes mesmo de termos lhes concedido algo. Era simpatia nata e transparente, que contagiava. Falamos que a comida era vegetariana, ela prontamente afirmou não ter problemas, pois eles eram bem naturais, e levavam a vida assim viajando, comiam de tudo. Depois do discurso de gratidão levaram para compartilhar com os outros. Continuei ali alguns instantes, focada em cada movimento deles. PARA! Agora mudou tudo. Esse simples acontecimento no meio da viagem mudou todo o meu conceito, meus sentimentos e toda a forma como eu vinha agindo até ali. Foi uma lição de vida pra mim. Comecei a pensar em como era a vida deles, e confesso que até tive inveja em certos pontos. Não em como era a vida deles de viajantes, mas em como eles davam valor a tudo, mesmo não tendo nada. Nada na minha concepção, mas naquele momento compreendi em como eles tinham tudo de fato. E eu também tinha, só nunca tinha parado pra pensar. Eu não conseguiria descrever ake tudo que se passou em minha cabeça depois de contemplar aquela cena, mas só sei dizer que foi algo que mudou a minha forma de agir em “viagens”. Não somente na viagem no sentido prático, mas naquele que vivencio a cada dia. Essa viagem ake a qual somos todos velhos viajantes, talvez até cansados. A viagem em que muitas vezes perdemos o foco do destino, de tanto pensar nele, e não pararmos pra pensar em como estamos agindo no decorrer dela. Terminamos de comer, entramos no carro e voltamos a estrada, dando aquela bunizada aos nossos “parceiros de viagem” que iam ficando. A partir dali a minha viagem começou! Comecei a participar das conversas da família dentro do carro, comecei a contemplar os lugares que passava, comecei a me divertir, rir, e curtir o percurso de uma forma que nunca tinha curtido antes. Em um determinado momento meu pai para o carro, desce e diz, quer levar o carro Andressa??? Nunca teria tido a oportunidade de ser a “pilota daquela viagem” se estivesse dormindo, como todas ás vezes. “O percurso daquela tradicional rotina pra mim, foi um percurso diferente!”
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Ja disse q sou sua fã numero um né?!Tu escreve demais!!! Entrei na brisa literalmente, e pra variar só curti mais e mais as coisas q tu escreve! O texto ficou mtooo loko Bast...de vdd!Como redatora,msm sem ter visto ele antes, ta mais q aprovado( poxaaa, assim fico sem cargo!rs..zuera!)
ResponderExcluirsaudade BIGGEST bastever.
Lov Ya...